O Post-it®: a subversão que virou método
O bloco de notas coloridas é o símbolo máximo de criatividade e inovação no mundo corporativo. Mas você sabia que ele quase foi cancelado pela própria empresa que o criou?
Existe um mito de que o Post-it nasceu de um erro de laboratório e virou sucesso da noite para o dia. Na realidade, foram mais de uma década de uma batalha obstinada. Tudo começou quando o cientista Spencer Silver desenvolveu uma cola que grudava suavemente, mas não fixava nada. Para a empresa, aquilo era um fracasso. Mas outro cientista da equipe, Art Fry, teve um estalo anos depois: ele cantava no coral da igreja e ficava irritado porque os papéis que usava para marcar as partituras sempre caíam. Ele lembrou da cola “fracassada” de Silver e percebeu que aquilo era o marcador perfeito.
O problema foi convencer a equipe de marketing, que achava que ninguém pagaria por um pedaço de papel que colava e descolava. Para o projeto não morrer, Art Fry recorreu a uma regra interna da 3M que permitia dedicar 15% do tempo de trabalho a projetos próprios e agiu de forma estrategicamente subversiva: distribuiu amostras dos bloquinhos pelos escritórios da empresa. As secretárias e colegas que os receberam logo voltaram pedindo mais. A demanda interna foi crescendo até chegar aos gestores, que não puderam mais ignorar o produto. A inovação não venceu por um relatório de mercado, mas porque o inventor contornou a resistência criando o próprio mercado dentro de casa.
O Post-it que hoje cobre monitores e geladeiras ao redor do mundo nasceu de uma cola “fracassada”, de um coral de igreja e de uma dose generosa de teimosia criativa.